segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Tudo Beeem Explicadinho



Imaginem esta situação: um chefe, percebendo que um colaborador tem potencial para um cargo melhor, lhe propõe um tempo de experiência na nova função sem dar a promoção (o que é bastante prudente).

Após a experiência, o chefe sinaliza que ainda há pontos a serem melhorados, sinaliza-os e mantém o colaborador ainda na expectativa de que poderá conseguir atingir o seu objetivo.

Continuando a história, o chefe não dá mais retornos formais e não fala mais no assunto. Quando o colaborador questiona se a vaga ainda está disponível, o chefe fala que sim, está e que ele está no caminho certo; que continue assim pois, em breve, estará apto a ocupar o tal cargo. Não há prazos e as informações são mais vagas.

O tempo passa...nada acontece. A vaga fica aberta, e o retorno não vem.
...

Quando se vê potencial em alguém e sinaliza-se o que se espera e as oportunidades para esta pessoa, deseja-se mesmo que ela se promova, que cresça, que assuma novas responsabilidades.

Mas, se isso não acontece, o provável medo de falar claramente "parceiro, infelizmente você não atingiu o que era desejado" acaba atrapalhando o processo e, o pior, o colaborador ao invés de rever onde ele poderia ter melhorado, acaba usando seu precioso tempo responsabilizando o líder por sua inabilidade de comunicação e relacionamento.

Um dos problemas de muitos seres humanos é querer agradar a todos, só dar boas notícias, corresponder às expectativas. E para isso, acaba-se saindo do foco pois quando se é líder é preciso olhar para as pessoas mas também, e principalmente, para o negócio como um todo.

Para desagradar é preciso coragem e autoconfiança. E a autoconfiança tende a fazer com que se ganhe a confiança dos demais mesmo não agradando sempre.

Havendo incoerência ou não entendimento em relação às atitudes do líder, a confiança do colaborador neste tende a ficar abalada. Tanto melhor saber porque não se chegou a um cargo e ter noção clara do que faltou para se conseguir a achar que está indo muito bem e depois a oportunidade virar algo etéreo e que nem se sabe se ainda realmente existe.

Comunicar sempre, por pior que a notícia seja e não adiar isso nunca.

E ao colaborador que fica sem a explicação, vale sempre munir-se da mesma coragem e perguntar simplesmente ao chefe"O que faltou para eu atingir o objetivo? Quais são os próximos passos e qual prazo eu tenho para melhorar?".
Consigo, ele deve fazer uma avaliação dos passos a tomar para conquistar novas oportunidades e poder crescer na atual ou em outras empresas. Ou seja: analisar o que se pode fazer e não perder tempo julgando a inabilidade alheia.

Boa semana!! Bom trabalho!!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sempre Melhor


Sempre é bom dar uma variada de áreas e passear por publicações diferentes das que costumamos acompanhar.

Nos fornecem diferentes pontos de vista e voltamos a perceber a realidade como algo muito maior que a nossa escrivaninha e nosso dia a dia de trabalho, seja ele qual for.

Enfim...e passeando pela O2, que é uma revista de corrida e estilo de vida (vale à pena até para quem não corre) me deparei com uma frase de Steve Prefontaine que...bem, fala por si só:

"DAR MENOS QUE O SEU MELHOR É SACRIFICAR O DOM."

Acredito muito nisso e creio que sacrificar o dom é também não prestar atenção ao mesmo e seguir pelo caminho mais fácil, mais conveniente e mais aceitável por todos.

Entretanto, ao acolher e abraçar o dom, caminhos diferentes se abrem e aquela possibilidade de ser o melhor está muito mais próxima.

Olhar para dentro, aproveitar o que já se possui naturalmente e melhorar. Sempre! Todos os dias.

(Na foto Prefontaine e a frase "Muitas pessoas correm para ver quem é o mais rápido. Eu corro para ver quem tem mais raça.")

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Tempo e a Liderança


Semana passada ministrei um treinamento sobre Gestão de Pessoas. Durante o levantamento de expectativas, apareceu um bom número de pessoas falando sobre a dificuldade em dar conta de suas tarefas do dia-a-dia e exercer seu papel de líder ao mesmo tempo.

Realmente não é fácil e quando não se cosegue equilibrar os dois papéis sabemos que um dos lados acaba sendo prejudicado e, acreditem: ou temos liderados insatisfeitos, tarefas mal feitas ou ainda a invasão em nossa vida privada porque precisamos ficar até mais tarde (no horário comercial sou líder e depois das 18:00h eu começo a fazer o meu trabalho, algo assim).

Acredito que tudo pode e deve ser equilibrado e, bem, existem alguns "truques" que podemos considerar para não onerar nenhum dos nossos lados mas, atenção: perfeição não existe e quando se trata de sobrecarga aquela boa e velha frase "O ótimo é inimigo do bom" impera.

Vamos lá...comecemos com uma lista: antes de sair do escritório no final da tarde (o ideal é que assim seja), faça uma lista. Anote em sua agenda tudo que se lembra que precisa ser feito para o dia seguinte. Veja se tudo realmente precisa ser feito no dia seguinte e garanta pelo menos uma ou duas horas para os imprevistos e pessoas que tenham que falar contigo.

Não fuja das tarefas mais difíceis ou das tarefas mais duras. Uma vez resolvidas, elas dão motivação para enfrentar todas as outras. Se as adiamos acabamos tendo a nítida sensação de que estamos empurrando o problema com a barriga.

Colaboradores interrompem para pedir algo ou tirar dúvidas. Claro que há a tentação de resolver aquilo na hora (ao mesmo tempo em que se entra na cabine e coloca a roupa do Super-Homem) mas só o faça se não estiver ocupado ou se o caso for urgente. Caso não seja esta a situação, preveja quando terminará a tarefa que está fazendo e marque um horário em comum acordo "Podemos falar às 16h00?" Isso não quebrará sua atividade e pode ser que neste tempo ele mesmo encontre a solução por si só.

Caso ele encontre, não se martirize. É somente um sinal de que ele está crescendo profissionalmente e isso complementa sua equipe. Caso não encontre faz parte de ser líder ensinar as pessoas a resolver questões através da delegação. Ajude-o a pensar sobre a solução, pergunte o que ele acha, o que ele faria, corrija pontos que achar interessantes e o incentive a buscar as soluções por si só, a pensar. Veja bem: você não largou, você orientou sem dar respostas prontas pois estas sempre farão com que ele volte em um momento de dúvida.

Pequenas mudanças que fazem diferença. Experimente.

"Poder & Amor"


Olá Pessoal!

Mudando um pouco o tipo de post (porque sim, mudar é preciso), segue uma preciosa indicação de livro.

Há dois anos mais ou menos fui apresentada ao Grupo SOL - The Society for Organizational Learning - www.solonline.org.br ou www.solonline.org e com isto conheci um autor que tem me cativado continuamente - Adam Kahane.

Vou citar um trecho da introdução do último livro dele que saiu pela Editora Senac. Recomendo MUITO! Não só para quem trata de questões sociais direta e propriamente ditas mas para quem está inserido no meio corporativo. Trata-se de "Poder & Amor - Teoria e Prática da Mudança Social" e, para dar o gostinho, segue um trecho que creio, resume o propósito deste livro:

"(...)'O amor e a vontade são interdependentes e pretencem um ao outro. Ambos são processos conjuntivos do ser - uma tentativa de alcançar e influenciar os outros moldando, formando e criando uma consciência do outro. Mas isso só é possível do ponto de vista interno, se ambos (o amor e a vontade) se abrirem, ao mesmo tempo, um para a influência do outro. A vontade sem o amor torna-se manipulação, e o amor sem a vontade torna-se sentimental. E aí se rompe o fundamento das emoções e processos conjuntivos.'

Os processos conjuntivos de May também operam no nível social, de modo que só podemos criar mudanças sociais não violentas se formos capazes de empenhar tanto nosso poder como nosso amor.

Martin Luther King Jr., um dos maiores agentes de mudança social não violenta, era ao mesmo tempo um ativista prático e um líder espiritual. Para enfrentar os mais complexos desafios sociais, indicou um caminho acima da guerra agressiva e da paz submissa, contribuindo para a criação de novas realidades sociais nos Estados Unidos e no mundo. (...) 'O poder sem o amor é imprudente e abusivo', disse (King), 'e o amor sem o poder é sentimental e anêmico'".

Só o comecinho...imaginem o restante.

Ao final do ano passado, estruturei um trabalho juntamente com o Professor Minoru Ueda baseado nos livros "Como Resolver Problemas Complexos" (Adam Kahane), "Presença" (Peter Senge, Otto Scharmer, Joseph Jaworski e Betty Sue Flowers), no qual Kahane é muito citato e "A Dança das Mudanças" também de Senge. O resultado foi muito bom e aguarda para entrar em sala. Agora, com este novo livro, creio que poderemos revisitá-lo para complementações.

Boa semana!!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Dicas para aplicar uma boa entrevista



Creio eu que a maioria de nós considera que entrevistar não é uma tarefa difícil mas, infelizmente, isto não resulta em entrevistas necessariamente bem feitas. Particularmente, já entrevistei bastante gente e já fui entrevistada um outro tanto. Nos dois casos, algumas foram boas e outras deixaram a desejar.

Quando não somos especialistas no assunto e, principalmente, quando vamos entrevistar alguém para trabalhar diretamente conosco, um dos pontos a considerar quando se faz uma entrevista é a sensação de poder que a situação nos confere. E justamente esta nos leva ao erro mais fatal: falar mais que ouvir. Não prestar atenção às entrelinhas. Ficamos tão imbuídos daquele sentimento de superioridade que tendemos a querer realmente aparecer, mostrar a brilhante oportunidade que o candidato tem e acabamos metendo os pés pelas mãos.

Sendo assim, elenco aqui alguns pontos que poderão ajudá-lo nesta tarefa:

1) Estruture tudo que quer saber daquele candidato.
2) Leia, antes da entrevista, todo o CV dele (bem como eventuais avaliações de perfil que tenham sido feitas). Anote no mesmo as dúvidas que tiver.
3) Procure fazer perguntas abertas. Estas são aquelas que não resultam em respostas como "sim" ou "não", mas que deixam o candidato explanar e você conseguirá conhecer um pouco mais sua linha de raciocínio e seu modus operandi. Ex.:"Como você agiria em uma situação...?"
4) Evite estabelecer linhas de julgamento. Perguntas como "você não quer ter filho tão cedo, né?" acabam por gerar a resposta que você quer ouvir no lugar de uma resposta sincera que só viria se a pessoa estivesse se sentindo à vontade.
5) Não fale sobre o perfil da vaga logo de cara. O candidato tenderá (como qualquer um de nós) a responder o que você quer ouvir. Novamente: tente ao máximo adotar uma postura neutra e tom de voz cordial. Isso dará maiores chances de você realmente conhecer quem está à sua frente.
6)Caso o candidato o interrompa em algum momento, deixe-o à vontade. Às vezes, nestes momentos, coisas importantes são ditas e a entrevista é para conhecer esta pessoa, acima de tudo.
7) Sempre, sempre trate a pessoa que está a sua frente com respeito e cordialidade. Salvo casos em que a própria postura mais ríspida é um instrumento de avaliação para verificar a reação da pessoa, as mesmas regras valem para o entrevistador: sente-se de frente, olhe nos olhos quando pergunta ou escuta. Cumprimente de maneira firme. Afinal de contas, a pessoa do outro lado também estará te avaliando.
8) Quando sentir que é um candidato potencial, comece a explanar sobre a vaga. Não floreie. A transparência é importante. Todas as empresas têm dificuldades e a pessoa deve saber onde está pisando pois, da mesma forma que você não gostará de ter qualquer surpresa com esta pessoa, o mesmo vale para ela em relação à empresa.

E boa sorte! Afinal, nada melhor para um profissional que trabalhar em um verdadeiro time!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Me pergunte "O quê?" ao invés de "Por quê?"


Olha só: por mais que quase todos os manuais de RH e Administração falem e repitam sobre não procurar culpados e sim resolver as situações, essa prática ainda continua sendo muito usada.

Seguindo a recomendação do título, não explorarei os motivos, mas o que acontece e quais os possíveis caminhos.

Como se surgisse um alívio pelo fato de descobrir-se o motivo ou mesmo quem foi o culpado por um determinado incidente, acaba-se gastando tanta energia nessa tarefa investigativa/acusatória que pouco sobra para resolver o problema. Já observei empresas em que a prática do "por quê? quem?" é tão difundida que se desenvolvem longos debates e acusações abertas. Quando o bate-boca termina, as pessoas estão tão esgotadas que todos se calam. E o problema? Não é solucionado.

Perguntar o que está acontecendo e como solucionar o problema acaba por elevar o mesmo ao título de desafio. Quando desafio, é muito mais atraente solucioná-lo. Ninguém quer resolver um problema que o outro causou. Mas um desafio...este sim é um prato cheio para as pessoas que realmente buscam um algo a mais no seu dia a dia da empresa.

Deixe o por quê para mais tarde. Para depois que o desafio estiver superado. Aí sim descubra as causas...se é que isso ainda será importante.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Quem é que decide?

Quando se é pequeno, a mãe diz o que pode ou não pode fazer. Depois crescemos e o chefe diz o que pode ou não. Tem as regras da empresa, tem o código de ética.
Alguém se lembra de quando você perguntou a sua mãe o que fazer e ela disse "você é quem sabe, meu filho. Você decide sobre isso". Pânico.
Muitas vezes sentimos que as bases que uma empresa ou chefe ou qualquer figura normativa nos fornece são aprisionadoras. Mas será que sabemos viver em liberdade?
Sabemos, por conta própria, decidir a que horas acordar em uma segunda-feira ou quando podemos ou não ver um filme ou até mesmo quando podemos dar um passo mais arriscado ou não?
Hoje ouvi no rádio uma pontuação sobre o medo das pessoas em perder o emprego. Está em cerca de 88 pontos. O índice mais alto até hoje foi em 1999, algo como 102 ou 112 pontos. E por que tanto medo? Será somente porque as pessoas perderão seu sustento inicial ou principalmente porque perderão quem dê as bases para seu ser e seu viver?
Creio que vale exercitar. Pensar sinceramente sobre qual seria sua decisão em determinado tema, quais seriam suas bases internas, suas próprias regras. O quão flexíveis ou não seriam as mesmas. O quanto você seria mais ou menos rigoroso consigo próprio do que todos os que até agora foram.
Conhecer a si mesmo e questionar onde estão suas verdadeiras prisões: aí na sua escrivaninha ou dentro de você?