quarta-feira, 20 de março de 2013
De-cisão
Por muito tempo eu viajei todos os dias a Rodovia dos Bandeirantes. Depois me rendi, fui para a cidade grande, morei perto do trabalho um tempão. Mudei de novo para o interior, fiquei amiga da Dutra.
São Paulo é uma ótima cidade. Lá as pessoas podem crescer de uma forma rápida, ganhar muito dinheiro, aprender a ter profissionalismo e, no caso de quem vem do interior, trabalhar em São Paulo alimenta o ego. Em São Paulo eu fiz muitos amigos, eu aprendi a ser gente grande, vesti salto alto, voei de avião a trabalho pela primeira vez e ganhei minha primeira pasta de consultora. É eletrizante e viciante estar em São Paulo.
Além disso, tomei muita chuva, perdi alguns chinelos nas enchentes de lá, passei no meio de tiroteio (!!!) e, em um dia após ficar 2 horas presa dentro do metrô, resolvi sair. Abri mão. Quis saber como era ver o dia nascer e o entardecer do meu quintal.
Fiz escolhas. Fui aprendendo dia após dia que não é possível ter tudo. Mas é possível ter aquilo que seu coração mais quer.
Houve um tempo em que as minhas escolhas me levaram a uma rotina de caos. Demorou um pouco até eu achar, no meio do caos, onde estava a minha escolha. Foi como encontrar um diamante no meio da bagunça "ah...aqui está a razão de tudo. Vale à pena? Sim, vale." E o melhor foi quando tomei consciência de que a bagunça ia passar. E passou.
O que quero dizer com tudo isso é que cada um pode fazer sua decisão. Os sinais de quando está na hora de mudar, de decidir, são sutis mas presentes. Quando se olha muito pela janela do escritório, preferindo ser qualquer pessoa a estar passando por lá a ser você o observador, talvez seja um sinal. Quando seu coração está batendo fora de você, pulsando por algo maior, talvez seja a hora de prestar atenção nele.
Independente de qual seja o seu sinal, fique atento: você está onde gostaria de estar? Você faz o que gostaria? Onde mora seu coração neste momento?
Pode ser que não possa sair correndo agora. Mas pode dar encaminhamentos e planejar mudar.
Por favor, esteja acordado. Consciente. Se você, sua vida, carreira, rotina não estão de acordo com o que você gostaria, saiba que você é o único responsável e capaz de mudar alguma coisa. Não faça corpo mole para tentar ser mandado embora, ainda que inconscientemente não provoque as pessoas ao seu redor para justificar ações arbitrárias da sua parte. Não diga que só fez tal coisa porque fulano ou beltrano provocaram.
Seja responsável pela sua vida, peça ajuda, busque saídas, analise e faça. Pare de dizer que é gordo porque seu metabolismo é lento; que está na empresa que te faz infeliz porque o pacote de benefícios é uma loucura. Não se venda por vale-refeição, pelo amor de deus.
Quando decidimos sempre temos uma perda. Mas, ao focar no ganho fica muito mais fácil superar a perda e ir ao encontro de si próprio. Fica mais fácil dormir menos, trabalhar mais e buscar o que se deseja. Como eu li em um livro, o que queremos de verdade, o nosso sonho não está em nenhuma revista ou lugar mirabolante. Está aí dentro de você, esperando você parar e olhar. Consegue?
terça-feira, 5 de março de 2013
Ser...
Tem me chamado a atenção - muito! - a necessidade das pessoas mostrarem que são felizes, que estão bem, que têm sucesso, que são o profissional mais bem sucedido do universo, que são as mães e pais mais felizes do mundo, que os filhos são o máximo, que amam mais e são mais amadas que todos. Me parece sim que em quase tudo tem algum grau de comparação superlativo.
Não tem graça eu ser só feliz. Tenho que ser a pessoa MAIS feliz do MUNDO. Meu carro, na estrada, tem que ser o maior, o mais veloz e mais caro (agora ele tem que ser pérola também, que é a cara da riqueza). A bolsa, ah, a bolsa...ela tem que ser a mais cara, da marca mais fashion mas, se perguntarem, jamais se falará que foram pagos os olhos da cara. Conseguiu suuuper em conta sei lá onde de sei lá quem que foi para algum lugar que o outro não pode ir.
Neste mundo de agora não tem espaço para a tristeza, para o ócio, para o bode. Não é eficiente ficar triste. Gente triste dá azar. Ah, desculpe! Não se pode falar azar porque azar atrai azar. Só pode ser "má sorte". E só de ler esse parágrafo, você provavelmente vai ficar coberto disso "aí" que escrevi.
Somos muito felizes, mas não podemos ser completos porque não podemos ser tristes. Não podemos estar tristes. Não podemos fracassar, dar um passo em falso, a menos que esse passo já tenha sido dado há muito tempo e agora você está contando o quanto superou sua dificuldade e está ótimo.
Por isso, talvez, que eu adore as personagens como a Funérea. Essas coisinhas mal humoradas e politicamente incorretas, inoportunas e muito, muito sinceras. Esses que dizem exatamente o que muita gente pensa mas acha que é errado pensar ou sentir (falar nem pensar). É errado ser, a menos que você seja um personagem recém chegado ou saído da ilha de caras. A menos que você seja um slogan.
Tudo bem que todos gostamos mais de ver o que é bonito, mas está todo mundo tão bem que eu desconfio. Eu estou bem, mas não estou TÃO bem e muitas vezes na semana, nem bem estou. E tenho quase certeza de que se uma pessoa precisa anunciar onde quer que seja que está TÃO BEM ou isso não é verdade ou a insegurança é imensa e a solidão de si próprio é a única presença.
Ter coragem de ser quem se é. Andar seu próprio caminho sem comparar-se com quem está ao lado. Me parece um pouco utópico pois quando seu carro e sua bolsa são maravilhosos, caros e raros, isso causa inveja (inveja mesmo porque esse papo de inveja branca é para boi dormir). Quando você diz que sua vida é perfeita, seu namorado, marido, esposa, filho, mãe ou sei lá o que são os melhores do mundo, isso gera incômodo porque quem lê não pensa em você e sim onde errou que não alcançou tanta perfeição.
O ponto é: quando você é você mesmo, corajoso para isso, independente do que seja, pode ser que seja polêmico, contraditório, ou até "normal". Mas nesse caso você torna-se um exemplo de verdade porque é alguém possível. Ser a si próprio é possível e, sério, dispensa anúncio.
Não tem graça eu ser só feliz. Tenho que ser a pessoa MAIS feliz do MUNDO. Meu carro, na estrada, tem que ser o maior, o mais veloz e mais caro (agora ele tem que ser pérola também, que é a cara da riqueza). A bolsa, ah, a bolsa...ela tem que ser a mais cara, da marca mais fashion mas, se perguntarem, jamais se falará que foram pagos os olhos da cara. Conseguiu suuuper em conta sei lá onde de sei lá quem que foi para algum lugar que o outro não pode ir.
Neste mundo de agora não tem espaço para a tristeza, para o ócio, para o bode. Não é eficiente ficar triste. Gente triste dá azar. Ah, desculpe! Não se pode falar azar porque azar atrai azar. Só pode ser "má sorte". E só de ler esse parágrafo, você provavelmente vai ficar coberto disso "aí" que escrevi.
Somos muito felizes, mas não podemos ser completos porque não podemos ser tristes. Não podemos estar tristes. Não podemos fracassar, dar um passo em falso, a menos que esse passo já tenha sido dado há muito tempo e agora você está contando o quanto superou sua dificuldade e está ótimo.
Por isso, talvez, que eu adore as personagens como a Funérea. Essas coisinhas mal humoradas e politicamente incorretas, inoportunas e muito, muito sinceras. Esses que dizem exatamente o que muita gente pensa mas acha que é errado pensar ou sentir (falar nem pensar). É errado ser, a menos que você seja um personagem recém chegado ou saído da ilha de caras. A menos que você seja um slogan.
Tudo bem que todos gostamos mais de ver o que é bonito, mas está todo mundo tão bem que eu desconfio. Eu estou bem, mas não estou TÃO bem e muitas vezes na semana, nem bem estou. E tenho quase certeza de que se uma pessoa precisa anunciar onde quer que seja que está TÃO BEM ou isso não é verdade ou a insegurança é imensa e a solidão de si próprio é a única presença.
Ter coragem de ser quem se é. Andar seu próprio caminho sem comparar-se com quem está ao lado. Me parece um pouco utópico pois quando seu carro e sua bolsa são maravilhosos, caros e raros, isso causa inveja (inveja mesmo porque esse papo de inveja branca é para boi dormir). Quando você diz que sua vida é perfeita, seu namorado, marido, esposa, filho, mãe ou sei lá o que são os melhores do mundo, isso gera incômodo porque quem lê não pensa em você e sim onde errou que não alcançou tanta perfeição.
O ponto é: quando você é você mesmo, corajoso para isso, independente do que seja, pode ser que seja polêmico, contraditório, ou até "normal". Mas nesse caso você torna-se um exemplo de verdade porque é alguém possível. Ser a si próprio é possível e, sério, dispensa anúncio.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
AJUSTE DE FOCO
Uma cliente querida me indicou o livro "O FOCO DEFINE A SORTE" de Dulce Magalhães e, confesso, o adquiri realmente porque ela falou muito sobre ele. Não estava muito animada, pensando que deveria falar sobre como eu precisava me focar mais para conseguir resultados. Lembrei das épocas de vestibular, focada sobre livros e apostilas e senti algum arrepio mas, apesar disso, me rendi à indicação.
Livro nas mãos, óculos nos olhos e fui me entregando. No começo o achei meio repetitivo mas uma frase me conquistou para todo sempre. Era algo como "As pessoas não se sentem frustradas por não conseguirem o que querem. Elas se frustram por não quererem o que conseguiram.". Elas se frustram por não quererem o que conseguiram.....
Uuuuuuuu!!!
Senti uma pontada no estômago ao ler isso. Bateu doído e com tão pouco me derrubou. Então era esse o foco: não para onde eu olho. Mas como eu olho. Como eu vejo, enxergo (se é que estou vendo) o que eu tenho hoje. Incluí nisso minha família, meus "bens", meus "mals", minha realidade, cotidiano, minha carreira e, principalmente, acima de tudo, as minhas RECLAMAÇÕES. Meu Deus, como eu reclamo! Como, por muitas vezes, falta água na metade do meu copo. Assumo.
Não quero dizer o que é certo ou errado mas, se eu pensar que de cada pouquinho que reclamo é como se jogasse um pouco da minha vida no lixo, a conta fica bem alta. Ao passo que se eu reciclar a minha realidade pensando em tudo que simples coisas podem ser, eu ganho. É isso que pode ser mudado: olhar e olhar mais uma vez para o que acontece comigo me permite encontrar tantas faces, tantos focos que o ganho fica quase sempre maior que qualquer perda.
E o mais interessante: recordando "o que eu queria ser quando crescer" eu me lembrei que queria ser e estar exatamente onde, como e com quem estou hoje. Poderia estar melhor? Sempre! Mas é isso o que tenho hoje e é isso que posso comemorar e mudar, se assim desejar.
Minha sorte depende de se eu olho, de como eu olho e se aceito, abraço e acolho ou não o que eu tenho. O que eu conquistei.
Livro nas mãos, óculos nos olhos e fui me entregando. No começo o achei meio repetitivo mas uma frase me conquistou para todo sempre. Era algo como "As pessoas não se sentem frustradas por não conseguirem o que querem. Elas se frustram por não quererem o que conseguiram.". Elas se frustram por não quererem o que conseguiram.....
Uuuuuuuu!!!
Senti uma pontada no estômago ao ler isso. Bateu doído e com tão pouco me derrubou. Então era esse o foco: não para onde eu olho. Mas como eu olho. Como eu vejo, enxergo (se é que estou vendo) o que eu tenho hoje. Incluí nisso minha família, meus "bens", meus "mals", minha realidade, cotidiano, minha carreira e, principalmente, acima de tudo, as minhas RECLAMAÇÕES. Meu Deus, como eu reclamo! Como, por muitas vezes, falta água na metade do meu copo. Assumo.
Não quero dizer o que é certo ou errado mas, se eu pensar que de cada pouquinho que reclamo é como se jogasse um pouco da minha vida no lixo, a conta fica bem alta. Ao passo que se eu reciclar a minha realidade pensando em tudo que simples coisas podem ser, eu ganho. É isso que pode ser mudado: olhar e olhar mais uma vez para o que acontece comigo me permite encontrar tantas faces, tantos focos que o ganho fica quase sempre maior que qualquer perda.
E o mais interessante: recordando "o que eu queria ser quando crescer" eu me lembrei que queria ser e estar exatamente onde, como e com quem estou hoje. Poderia estar melhor? Sempre! Mas é isso o que tenho hoje e é isso que posso comemorar e mudar, se assim desejar.
Minha sorte depende de se eu olho, de como eu olho e se aceito, abraço e acolho ou não o que eu tenho. O que eu conquistei.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Você chega no horário?
Quando você marca um compromisso, cumpre o horário?
Penso que no Brasil atraso é ibope. Se você atrasa, se falta, o outro pensa mais em você, te liga. Então, creio eu, as pessoas atrasam para sentirem-se amadas, lembradas. Quem espera é sempre aquele que mais se importa. O tonto, traduzindo para o português claro. Quem atrasa é o bacana que tem mil coisas para fazer e deu a honra da presença dele, ainda que atrasado.
Marcam compromissos em São Paulo e têm coragem de dizer que se atrasaram por causa do trânsito "O trânsito estava péssimo". Meu, o trânsito É péssimo há décadas!
Você agenda uma reunião com o cidadão, chega na hora e ele te deixa meia hora esperando. Quanto mais importante ele for, mais te deixa esperando (em geral, ok? Não estou falando dos ótimos profissionais muito importantes). Por quê? Para que você pense que ele é muito ocupado (e desorganizado, e grosseiro e sem educação)?
Agende uma festa que começará 17:00h e você terá bem uns 40% que SABEM que se chegarem nesse horário te pegarão de toalha no cabelo e chinelo, sem nada da festa pronto. Outros 50% aparecerão às 19:00h (que livremente traduzem 17 por 19) e o restante às 21:00h, aqueles que querem ibope ao chegarem. Estes ouvirão "Nossa!!! Que bom que você veio!! Achei que não viesse mais!". Como diz uma amiga minha "Esse pessoal que se acha estrela!".
Ah....mas a melhor: quando você não vai ao compromisso. Não está com vontade de ir, não tem coragem para assumir que não tem vontade então manda um "ai desculpa que não deu para ir...é que tive um imprevisto." depois de uma semana de marcado o compromisso. Tem tempo para teclar nesses abençoados celulares o tempo todo mas para dar uma ligadinha e avisar da falta ou atraso não dá.
Para que horário, não é mesmo? Substitui logo por período e ninguém fica chateado. O que, aliás, eu tenho visto muita gente fazer. "Ah...vai ser no comecinho da tarde...", "No meio da manhã", "Final de tarde", "Tardão da noite". Talvez isso crie uma incerteza, uma certa insegurança, não sei, e as pessoas acabam indo para garantir que chegarão a tempo de pegar o melhor da festa.
Ou seja: a hora em que você chega na festa tem que ser algo meticulosamente calculado - nem tão cedo que ainda estejam colocando as mesas e nem tão tarde que já tenham cortado o bolo. Tudo bem incerto, tudo no jogo de cintura, tudo bem brasileiro.
Ai que canseira!
Penso que no Brasil atraso é ibope. Se você atrasa, se falta, o outro pensa mais em você, te liga. Então, creio eu, as pessoas atrasam para sentirem-se amadas, lembradas. Quem espera é sempre aquele que mais se importa. O tonto, traduzindo para o português claro. Quem atrasa é o bacana que tem mil coisas para fazer e deu a honra da presença dele, ainda que atrasado.
Marcam compromissos em São Paulo e têm coragem de dizer que se atrasaram por causa do trânsito "O trânsito estava péssimo". Meu, o trânsito É péssimo há décadas!
Você agenda uma reunião com o cidadão, chega na hora e ele te deixa meia hora esperando. Quanto mais importante ele for, mais te deixa esperando (em geral, ok? Não estou falando dos ótimos profissionais muito importantes). Por quê? Para que você pense que ele é muito ocupado (e desorganizado, e grosseiro e sem educação)?
Agende uma festa que começará 17:00h e você terá bem uns 40% que SABEM que se chegarem nesse horário te pegarão de toalha no cabelo e chinelo, sem nada da festa pronto. Outros 50% aparecerão às 19:00h (que livremente traduzem 17 por 19) e o restante às 21:00h, aqueles que querem ibope ao chegarem. Estes ouvirão "Nossa!!! Que bom que você veio!! Achei que não viesse mais!". Como diz uma amiga minha "Esse pessoal que se acha estrela!".
Ah....mas a melhor: quando você não vai ao compromisso. Não está com vontade de ir, não tem coragem para assumir que não tem vontade então manda um "ai desculpa que não deu para ir...é que tive um imprevisto." depois de uma semana de marcado o compromisso. Tem tempo para teclar nesses abençoados celulares o tempo todo mas para dar uma ligadinha e avisar da falta ou atraso não dá.
Para que horário, não é mesmo? Substitui logo por período e ninguém fica chateado. O que, aliás, eu tenho visto muita gente fazer. "Ah...vai ser no comecinho da tarde...", "No meio da manhã", "Final de tarde", "Tardão da noite". Talvez isso crie uma incerteza, uma certa insegurança, não sei, e as pessoas acabam indo para garantir que chegarão a tempo de pegar o melhor da festa.
Ou seja: a hora em que você chega na festa tem que ser algo meticulosamente calculado - nem tão cedo que ainda estejam colocando as mesas e nem tão tarde que já tenham cortado o bolo. Tudo bem incerto, tudo no jogo de cintura, tudo bem brasileiro.
Ai que canseira!
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Co-responsável
O dia amanheceu com inúmeras análises, opiniões, fotos, anúncios e a pergunta com muitas respostas: "de quem é a culpa?"; quem afinal foi responsável pela morte de tanta gente em uma boate em Santa Maria?
Assim como nos perguntamos em tantas situações em casa, no trabalho, no trânsito, na academia. De quem é a culpa? Quem fez isso?
Como se a resposta fosse o suficiente. Como se revertesse, evitasse, prevenisse, consolasse.
Foram os seguranças que não queriam deixar os jovens sair? O dono da boate sem alvará, janelas, saídas de emergência? A banda que soltou os fogos? O prefeito, o fiscal, o diabo?
..........
Se o problema é culpa...
A culpa foi minha. Eu assumo a minha parte. Minhas pequenas e criminosas corrupções, as vezes em que votei sem pesquisar, a nota fiscal que não pedi, os momentos em que não exigi meus direitos para não parecer chata, a bronca que não dei, o direito que não usufrui, a indignação que não virou voz, o arrependimento por ter falado, as vezes em que não me respeitei como pessoa, como cidadã. E outras coisas que não tenho coragem de publicar.
Estive em tantos lugares como aquele ciente de que algo poderia acontecer (locais muito fechados, com saídas de emergência com correntes e cadeados...) e nunca procurei uma autoridade, nunca permiti que isso passasse de um breve pensamento a ser engolido com o próximo gole de cerveja.
Brasília é longe. O ego é grande. O senso comum não tem voz para quase nada que preste. Curtimos tanta bobagem e não lemos tanta coisa importante. Quase não leio instruções. Não conheço saídas de emergência, não sei manusear um extintor e, mesmo que soubesse, não sei se pensaria nisso.
O que eu fiz quando soube da tragédia? Não liguei a TV assombrada com a certeza de que um dia meu filho vai entrar em um lugar daquele...sem janelas, sem saída, sem consciência.
Pedi a Deus pelas famílias que lá estão chorando seus mortos (tão, tão jovens), pedi pelo meu filho, agradeci por ter passado ilesa dessa fase e vim aqui assumir minha co-responsabilidade e colocar um pouco de poder nas minhas mãos refletindo que é melhor ser chata e exigir meus direitos, bater boca, descer do salto (com ou sem tanta elegância), lutar, pesquisar, perder dinheiro, perder tempo, ficar descabelada e doida, fazer a minha parte e salvar uma vida que seja.
Uma vida que seja.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Hábitos e as Reações em Cadeia
Continuarei a falar mais um pouco sobre o livro "O Poder do Hábito" já citado aqui anteriormente.
Um dos pontos mais animadores sobre a revisão e mudança de hábitos é que, conforme cita o autor, o hábito "vaza" para outras áreas correlacionadas.
Em relação aos exercícios, por exemplo, Duhigg cita que, para quem não os praticava, começar a, habitualmente, praticá-los uma vez por semana tende a levar a pessoa a "alimentar-se melhor, fumar menos e ter mais paciência com familiares e colegas" (mudanças mais óbvias, eu diria). Além disso, (veja só!), "usam seus cartões de crédito com menos frequência e têm menos estresse".
Da mesma forma, famílias que se habituam a jantar juntas tendem a educar melhor seus filhos, estes apresentam "maior aptidão para lições de casa e, consequentemente, melhores notas, maior controle emocional e confiança". Provavelmente também uma maior facilidade de relacionamento e comunicação.
Além desses, o que mais me chamou a atenção, talvez pela simplicidade do ato e benefícios: "arrumar a cama toda manhã está ligado a maior produtividade, sensação de bem-estar e menor número de despesas supérfluas".
O autor deixa claro que a questão não é que você, arrumando a cama, vai gastar menos, mas que há "reações em cadeia que ajudam outros bons hábitos a se firmarem". (só para garantir, a minha está arrumada :-)).
Vale a pena testar. Deixar a escrivaninha em ordem para o dia seguinte e uma agenda feita com os principais compromissos já são grandes passos para uma organização maior e consequente melhor aproveitamento do tempo. Pelo menos, o bem-estar de encontrar o espaço de trabalho organizado já é garantido!
Mãos à obra!
Um dos pontos mais animadores sobre a revisão e mudança de hábitos é que, conforme cita o autor, o hábito "vaza" para outras áreas correlacionadas.
Em relação aos exercícios, por exemplo, Duhigg cita que, para quem não os praticava, começar a, habitualmente, praticá-los uma vez por semana tende a levar a pessoa a "alimentar-se melhor, fumar menos e ter mais paciência com familiares e colegas" (mudanças mais óbvias, eu diria). Além disso, (veja só!), "usam seus cartões de crédito com menos frequência e têm menos estresse".
Da mesma forma, famílias que se habituam a jantar juntas tendem a educar melhor seus filhos, estes apresentam "maior aptidão para lições de casa e, consequentemente, melhores notas, maior controle emocional e confiança". Provavelmente também uma maior facilidade de relacionamento e comunicação.
Além desses, o que mais me chamou a atenção, talvez pela simplicidade do ato e benefícios: "arrumar a cama toda manhã está ligado a maior produtividade, sensação de bem-estar e menor número de despesas supérfluas".
O autor deixa claro que a questão não é que você, arrumando a cama, vai gastar menos, mas que há "reações em cadeia que ajudam outros bons hábitos a se firmarem". (só para garantir, a minha está arrumada :-)).
Vale a pena testar. Deixar a escrivaninha em ordem para o dia seguinte e uma agenda feita com os principais compromissos já são grandes passos para uma organização maior e consequente melhor aproveitamento do tempo. Pelo menos, o bem-estar de encontrar o espaço de trabalho organizado já é garantido!
Mãos à obra!
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Os Hábitos
Final de ano e um excelente livro veio às minhas mãos: "O PODER DO HÁBITO" de Charles Duhigg. O autor é um jornalista que conta vários casos de pessoas e empresas que evoluíram (ou despencaram) em função de novos hábitos; ele fala sobre variados estudos e resultados que os hábitos podem gerar no nosso dia a dia.
Ao final do livro, um conto sobre peixes novos que vinham nadando e encontram um peixe mais velho. Este diz "Bom dia! Como vai a água hoje?". Os dois se entreolham sem entender do que se tratava.Simplesmente não sabiam o que era "água". Ela sempre esteve ali. Os hábitos são assim: eles existem sem que percebamos e, sendo fundamentais, podem tanto nos manter bem quanto nos levar para caminhos aos quais não desejamos ir.
Sendo uma água pela qual nem percebemos estar nadando - a não ser que prestemos atenção - fica o convite: observe seu dia a dia. Que coisas você realiza - ou deixa de realizar - simplesmente porque "sempre fez assim"?. Que procedimentos, dentro do seu trabalho, são realizados sem pensarmos no motivo deles, ainda que consumam horas e horas de trabalho? Será que o motivo para serem realizados desta forma ainda existe?
Questione e surpreenda-se. A mudança não precisa ser algo extraordinário. Ela pode vir de uma simples "re-visão" e gerar muitos resultados.
Olhos abertos, mãos à obra. E que venha 2013!
Ao final do livro, um conto sobre peixes novos que vinham nadando e encontram um peixe mais velho. Este diz "Bom dia! Como vai a água hoje?". Os dois se entreolham sem entender do que se tratava.Simplesmente não sabiam o que era "água". Ela sempre esteve ali. Os hábitos são assim: eles existem sem que percebamos e, sendo fundamentais, podem tanto nos manter bem quanto nos levar para caminhos aos quais não desejamos ir.
Sendo uma água pela qual nem percebemos estar nadando - a não ser que prestemos atenção - fica o convite: observe seu dia a dia. Que coisas você realiza - ou deixa de realizar - simplesmente porque "sempre fez assim"?. Que procedimentos, dentro do seu trabalho, são realizados sem pensarmos no motivo deles, ainda que consumam horas e horas de trabalho? Será que o motivo para serem realizados desta forma ainda existe?
Questione e surpreenda-se. A mudança não precisa ser algo extraordinário. Ela pode vir de uma simples "re-visão" e gerar muitos resultados.
Olhos abertos, mãos à obra. E que venha 2013!
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